Nada mais deprimente do que um soldado que, cercado pelo inimigo, abandona o campo de batalha. A fuga covarde contraria a natureza do soldado que deve estar pronto para a luta na sua trincheira, sem trégua, sem medo, sem temor da ameaça. Escolhi a minha trincheira e desde então, apesar das ameaças, me obriguei a lutar até o último tombo.
A liberdade de expressão foi conquistada durante longo processo e, na América Latina, sempre esteve ameaçada. A política de coronéis que permeou a parte sul das Américas, e ainda toma conta das republiquetas bolivarianas, colocou em risco o direito de todos de se expressar. De modo que, desde que a Constituição de 1988 foi promulgada, é um dever de todos nós defendermos que nós, nossos vizinhos, amigos e até inimigos se expressem livremente. Se 88 foi a conquista, os dias de hoje são para defesa do espaço conquistado.
Na condição de jornalista, essa defesa se reforça. Ao fazer o juramento de formatura, automaticamente abri mão do direito ao silêncio. Hoje me sinto na obrigação de falar sobre o que quer que seja, desde que alguém do público manifeste o mínimo interesse na questão. Essa tem sido a minha pauta na TV, no blog e nos jornais por onde passei.
Aqueles que pedem silêncio a alguém estão atentando contra essa conquista que é coletiva. Por tanto, forçar alguém a calar, é atirar em si mesmo. Temos que defender que todos falem e falem o que pensam; lutar para que a comunicação e a expressão estejam sempre abertas em todos os sentidos.
Sou apenas um dos herdeiros do legado de Waldimir Herzog, aquele que morreu durante a ditadura militar pela liberdade de expressão no Brasil. Se eu calar a boca submetido a pressões dos pequenos coronéis de nossos dias, estarei desonrando esse legado e me comportando como um soldado desertor, o que nunca fui.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Transferência
Na manhã desta segunda-feira, recebi um convite que considero importante para minha carreira. Na próxima semana serei jornalista da TV Cidade Verde. É um novo desafio no corpo de uma emissora extremamente competitiva e que certamente reúne em seu quadro excelentes profissionais.
Fazer parte desta equipe é uma honra, o que só foi possível graças ao período de aprendizagem e experiências vividas na Tv Antares, à qual me dediquei por quatro anos.
Espero contar com o apoio e torcida de todos
Fazer parte desta equipe é uma honra, o que só foi possível graças ao período de aprendizagem e experiências vividas na Tv Antares, à qual me dediquei por quatro anos.
Espero contar com o apoio e torcida de todos
segunda-feira, 22 de março de 2010
Espanto coletivo
A decisão de Wellington Dias de ficar no governo até dezembro provocou o espanto em todos. É cômico pensar que a decisão de permanecer no cargo para o qual foi eleito em 2006 provoque estranheza. Alguém votou em Wellington Dias sem saber que o seu mandato seria finalizado apenas no final deste ano? Os mandatos na redemocratização não são de quatro anos? Que regra é essa que obriga alguém a ser candidato largando mandato antes do fim?
O espanto se dá porque nós subvertemos a democracia. A maioria entende como normal carreira e patrimonialismo na política. Pensa que se reeleger e preparar o filho para política é uma obrigação de todos os que estão há anos imersos nesse mundo de relações tão obscuras. E como fica o Wellington Dias? Fica como deveriam ficar todos os políticos que dedicam oito anos à vida pública: afastados assistindo outros ocuparem o lugar que nunca foi dele! Assim deve ser a política! Assim precisa ser a democracia!
O espanto se dá porque nós subvertemos a democracia. A maioria entende como normal carreira e patrimonialismo na política. Pensa que se reeleger e preparar o filho para política é uma obrigação de todos os que estão há anos imersos nesse mundo de relações tão obscuras. E como fica o Wellington Dias? Fica como deveriam ficar todos os políticos que dedicam oito anos à vida pública: afastados assistindo outros ocuparem o lugar que nunca foi dele! Assim deve ser a política! Assim precisa ser a democracia!
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Oligarquias
O que se pode esperar de um estado dominado por oligarquias? Como viver dignamente em um local onde política é carreira e que os currais são herança de família? Este é o Piauí! Desde os tempos de Visconde da Parnaíba são eles que mandam. E por causa deles andamos sempre correndo atrás do prejuízo e nunca chegamos lá. É como se muitos trabalhassem, porém os mais fortes se encarreram de puxar o freio de mão para que ninguém consiga mudar uma realidade que, embora medíocre, privilegia os donos da província.
Em 1823 poderíamos ter conseguido mais do que a independência, chegado a república, mas os Martins não quiseram. E é sempre assim: quando eles não querem, não temos. Em plena democracia somos condenados ao seu império.
Vivemos ainda a era do sobrenome. Este ano, façamos diferente. “Quem tem parente com cargo não merece ser candidato”. Essa é minha campanha!
Em 1823 poderíamos ter conseguido mais do que a independência, chegado a república, mas os Martins não quiseram. E é sempre assim: quando eles não querem, não temos. Em plena democracia somos condenados ao seu império.
Vivemos ainda a era do sobrenome. Este ano, façamos diferente. “Quem tem parente com cargo não merece ser candidato”. Essa é minha campanha!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Defendo o Validuaté
No “Interferência” desta noite, tratamos de um assunto delicado e que, particularmente me deixou sentido: a dificuldade que a banda Validuaté tem em vender seu próprio disco. Uma questão tão complexa que me reservo o direito de não entrar no mérito da questão jurídica. Isso deixo para advogados, delegados e juízes. O que todos concordam é que o fato de um artista não ter domínio sobre o seu próprio trabalho soa com enorme violência. Nem mesmo o diretor-presidente da gravadora Bumba Records deve discordar disso. No entanto é o protagonista da novela que envolve banda.
Márcio Meneses, o presidente da gravadora, é um músico respeitado. Conhece grandes artistas brasileiros. Tem talento no sopro, na produção de bons discos e na interpretação de leis de direitos autorais. Transmite confiança! Com isso conseguiu fechar para sua gravadora o que, a meu ver, foi um os melhores contratos que poderia fechar. Domina os direitos de venda de “Alegria Girar” do Validuaté, um dos melhores produtos fonográficos que já ouvi. Depois de discórdias, parceria finalizada. Ao invés de um acordo entre as partes, as dificuldades de entendimento levaram ao que o Validuaté jamais imaginaria: mais de mil discos retidos na gravadora.
Márcio pode ter razão. Porém, não pode concorda com este atentado não só banda, mas ao cenário artístico local. Empurrar uma mentalidade goela abaixo me parece um gesto violento não só para Validuaté, mas para todos os artistas e consumidores. Sou consciente de que o mais prudente era Validuaté não ter feito contratos com Bumba Records como fez. Penso que Márcio deixou de lado a sua veia produtor- compositor-artista e deixou aflorar uma veia empresário. Nada contra! Porém, assim como Pelé vez por outra dá uns toques no Edson, o lado mais sensível de Márcio poderia dar uma força para o mais brutal.
Nessa disputa sou apenas o torcedor. Não há como ser diferente: mesmo entendo que o mundo jurídico tem sua própria lógica, percebo nele um lado nefasto e ironicamente permeado de injustiças.
Márcio Meneses, o presidente da gravadora, é um músico respeitado. Conhece grandes artistas brasileiros. Tem talento no sopro, na produção de bons discos e na interpretação de leis de direitos autorais. Transmite confiança! Com isso conseguiu fechar para sua gravadora o que, a meu ver, foi um os melhores contratos que poderia fechar. Domina os direitos de venda de “Alegria Girar” do Validuaté, um dos melhores produtos fonográficos que já ouvi. Depois de discórdias, parceria finalizada. Ao invés de um acordo entre as partes, as dificuldades de entendimento levaram ao que o Validuaté jamais imaginaria: mais de mil discos retidos na gravadora.
Márcio pode ter razão. Porém, não pode concorda com este atentado não só banda, mas ao cenário artístico local. Empurrar uma mentalidade goela abaixo me parece um gesto violento não só para Validuaté, mas para todos os artistas e consumidores. Sou consciente de que o mais prudente era Validuaté não ter feito contratos com Bumba Records como fez. Penso que Márcio deixou de lado a sua veia produtor- compositor-artista e deixou aflorar uma veia empresário. Nada contra! Porém, assim como Pelé vez por outra dá uns toques no Edson, o lado mais sensível de Márcio poderia dar uma força para o mais brutal.
Nessa disputa sou apenas o torcedor. Não há como ser diferente: mesmo entendo que o mundo jurídico tem sua própria lógica, percebo nele um lado nefasto e ironicamente permeado de injustiças.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Vacina para Fiocruz
Em menos de 10 anos o Piauí conseguiu dobrar a sua arrecadação anual. Esse número deve ser ainda maior nos próximos anos. O Estado correu e conseguiu ser um dos membros da federação com maior crescimento registrado. Descobriu Jazidas de ferro, aumentou o número de empregos formais...Tem caminhado em bom ritmo.
Nada disso é importante, no entanto, se continuarmos sendo visto como não somos. Se as pessoas continuarem achando que o Rio de Janeiro só tem violência, São Paulo só tem enchentes, Manaus só tem selva e Teresina só tem calor em pobreza, pouco importa os números. Vai prevalecer o preconceito!
Mais uma vez Teresina perdeu por causa dessa idéia dada pela imagem fundada em estereótipos. Carlos Henrique Nery Costa é um dos maiores pesquisadores em doenças tropicais que já se viu. Por conta disso, foi cuidadoso ao montar o arcabouço técnico para que a Fundação Oswaldo Cruz se instalasse aqui. Mas de que adianta ser cuidadoso? De a que adiante ele ser um dos melhores? De que adianta o crescimento do Piauí? Se as pessoas que comandam a Oswaldo Cruz vêem Teresina e o Estado com o mesmo olhar de qualquer um do povo? A visão diferenciada que se espera de gente do nível de Oswaldo Cruz não entrou em ação.
A Fundação Oswaldo Cruz vai se instalar em 11 estados, mas no Piauí não. O esforço de Carlos Henrique foi invejável. Foi o único a entregar o projeto em tempo hábil. Mas aqui é Piauí e, mesmo ele tendo consciência de que era preciso trabalhar o dobro dos outros para chegar em algum lugar, a Fiocruz correu do Piauí.
Os pesquisadores da Fundação precisam urgentemente encontrar uma vacina contra o estereótipo e o preconceito e administrá-la em si mesmos.
Nada disso é importante, no entanto, se continuarmos sendo visto como não somos. Se as pessoas continuarem achando que o Rio de Janeiro só tem violência, São Paulo só tem enchentes, Manaus só tem selva e Teresina só tem calor em pobreza, pouco importa os números. Vai prevalecer o preconceito!
Mais uma vez Teresina perdeu por causa dessa idéia dada pela imagem fundada em estereótipos. Carlos Henrique Nery Costa é um dos maiores pesquisadores em doenças tropicais que já se viu. Por conta disso, foi cuidadoso ao montar o arcabouço técnico para que a Fundação Oswaldo Cruz se instalasse aqui. Mas de que adianta ser cuidadoso? De a que adiante ele ser um dos melhores? De que adianta o crescimento do Piauí? Se as pessoas que comandam a Oswaldo Cruz vêem Teresina e o Estado com o mesmo olhar de qualquer um do povo? A visão diferenciada que se espera de gente do nível de Oswaldo Cruz não entrou em ação.
A Fundação Oswaldo Cruz vai se instalar em 11 estados, mas no Piauí não. O esforço de Carlos Henrique foi invejável. Foi o único a entregar o projeto em tempo hábil. Mas aqui é Piauí e, mesmo ele tendo consciência de que era preciso trabalhar o dobro dos outros para chegar em algum lugar, a Fiocruz correu do Piauí.
Os pesquisadores da Fundação precisam urgentemente encontrar uma vacina contra o estereótipo e o preconceito e administrá-la em si mesmos.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Descoberta de Cristóvão!
Cristóvão Buarque disse durante pronunciamento algumas verdades que estão aí. Coisas que já sabemos. Disse que os senadores e deputados abriram mão das atividades próprias do parlamento e se tornaram políticos 24 horas por dia (politiqueiros). Transformaram os parlamentos em balcões de negócios com a anuência do executivo.
Ainda no meio da reflexão sobre as palavras de Buarque, liguei a TV em um jornal de meio dia e vi Wellington Dias inaugurar uma estrada em São João do Piauí. Antes de rumar para o sertão, o governador piauiense estava sendo atacado por opositores por passar mais de 15 dias na europa. As criticas eram duras! PSDB e um restinho de Dem que existe na Assembléia batiam forte no que consideravam uma viagem de passeio. Mas a inauguração da rodovia me fez ver que Cristóvão Buarque estava certo também sobre o nosso parlamento. Ao lado de Wellington Dias estava Roncalli Paulo opositor do governador que fez questão de viajar mais de 500 quilômetros para parabenizar o governador, bater nas costas, sorrir para ele e aparecer ao lado do corte da fita. Ou seja, Roncalli fez questão de estar ao lado do homem que, segundo ele, está gastando dinheiro público de forma irresponsável na Europa. Perdeu a chance de dizer frente a frente aquilo que defendia nas modorrentas entrevistas de quinze minutos dos telejornais diários.
A oposição que se acovarda é a que sabe que só pode ser politiqueiro quem conta com o mínimo de apoio do executivo. Essa gente abriu mão de fazer o trabalho duro (criar leis, votar contra e criticar o que precisa ser criticado) em troca da chance de dividir a paternidade de ações populares e ganhar umas emendinhas para fazer média em seus currais.
A nossa Assembléia entrou na contagem de Cristóvão e o PT aqui, assim como lá, acabou com a oposição. Mesmo os opositores mais fervorosos, de vez em quando, para sair na foto, se aproximam daqueles que criticam. Um absurdo que deixa sem voz aqueles que não concordam com os que estão no poder e que reduz a democracia a uma jogo de interesses pessoais.
Roncalli ganhou espaço, Wellington menos um opositor e o estado menos uma voz. Porque, por mais que seja positiva a gestão de Wellington é sempre bom o contraponto. Mas não há quem consiga suportar a uma vida longe do poder. É a aproximação ou o risco de ficar sem o emprego de politiqueiro.
Ainda no meio da reflexão sobre as palavras de Buarque, liguei a TV em um jornal de meio dia e vi Wellington Dias inaugurar uma estrada em São João do Piauí. Antes de rumar para o sertão, o governador piauiense estava sendo atacado por opositores por passar mais de 15 dias na europa. As criticas eram duras! PSDB e um restinho de Dem que existe na Assembléia batiam forte no que consideravam uma viagem de passeio. Mas a inauguração da rodovia me fez ver que Cristóvão Buarque estava certo também sobre o nosso parlamento. Ao lado de Wellington Dias estava Roncalli Paulo opositor do governador que fez questão de viajar mais de 500 quilômetros para parabenizar o governador, bater nas costas, sorrir para ele e aparecer ao lado do corte da fita. Ou seja, Roncalli fez questão de estar ao lado do homem que, segundo ele, está gastando dinheiro público de forma irresponsável na Europa. Perdeu a chance de dizer frente a frente aquilo que defendia nas modorrentas entrevistas de quinze minutos dos telejornais diários.
A oposição que se acovarda é a que sabe que só pode ser politiqueiro quem conta com o mínimo de apoio do executivo. Essa gente abriu mão de fazer o trabalho duro (criar leis, votar contra e criticar o que precisa ser criticado) em troca da chance de dividir a paternidade de ações populares e ganhar umas emendinhas para fazer média em seus currais.
A nossa Assembléia entrou na contagem de Cristóvão e o PT aqui, assim como lá, acabou com a oposição. Mesmo os opositores mais fervorosos, de vez em quando, para sair na foto, se aproximam daqueles que criticam. Um absurdo que deixa sem voz aqueles que não concordam com os que estão no poder e que reduz a democracia a uma jogo de interesses pessoais.
Roncalli ganhou espaço, Wellington menos um opositor e o estado menos uma voz. Porque, por mais que seja positiva a gestão de Wellington é sempre bom o contraponto. Mas não há quem consiga suportar a uma vida longe do poder. É a aproximação ou o risco de ficar sem o emprego de politiqueiro.
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