sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um novo "Interferência"

Tenho sido abordado constantemente nas ruas sobre a minha saída do programa Interferência, que apresentava nas noites de terça-feira ao lado de dois grandes amigos: Airton e Henrique. As principais questões dizem respeito aos motivos da ida a Cidade Verde e principalmente de uma possível perda que o programa teve desde que deixei de compor o time.
Acho que ao lado de Henrique e Airton ajudei a escrever com traços modestos, uma das páginas da história da TV Antares. Alguns crêem que o programa pode ter alcançado tamanha força de influência que ele seria capaz de reformular pequenas práticas jornalistas no cotidiano. Disso não tenho tanta certeza, mas sei que tudo o que foi feito no Interferência foi feito com convicção e devoção, de modo que foi gratificante a despeito de qualquer eventual sucesso.
Apesar da felicidade, apesar da gratificação, apesar do reconhecimento, Interferência cumpriu o seu papel em minha carreira, mas não cumpriu ainda o seu papel como veículo informativo. O programa mudou o meu modo de abordar temas do cotidiano, me maturou como comunicador me trouxe uma ousadia que eu não tinha (nesse ponto méritos e gratidão a Henrique). Carregarei tudo isso em currículo, em experiência, guardando tudo no alforje da saudade e ponto. E todos devem entender: não há mais Joelson e Inferência.
Como disse linhas acima, o Interferência não cumpriu o seu papel como veículo informativo. Isso porque o programa ainda continua na ativa. Sinto que ele ainda tem muito a ofertar e ofertará se continuar seguindo a linha que Henrique Douglas vem desenhando para ele. Programas como o Interferência não envelhecem, mas se reformulam. A minha saída, provavelmente seja a mais dura etapa da reformulação necessária por qual um programa como esse precise passar. Um ou outro telespectador não atento pode imaginar que o programa definhará. Erro! Acertam apenas aqueles que dizem que o programa nunca mais será a mesma coisa. Que bom! Isso comprova que o Interferência é um programa contemporâneo e que sob boa direção, e asseguro a todos que eles está sob bom comando, terá vida longa e continuará surpreendendo positivamente todos aqueles que devotarem um hora da noite de sua terça-feira a esse projeto tão feliz e inteligente.
Para mim é difícil ser apenas telespectador. O meu alento é saber que ali estão dois grandes amigos sentados ao lado de uma grande promessa moderna do jornalismo. Vou convidar a todos para que, junto comigo, continuem a apreciar esse projeto que me deu tanta felicidade e diverte tanta gente que esperava por novidades na TV. Quem sabe em futura postagem reflita sobre o papel desse programa no meu modo de assistir TV.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Defendo também a liberdade de expressão

Nada mais deprimente do que um soldado que, cercado pelo inimigo, abandona o campo de batalha. A fuga covarde contraria a natureza do soldado que deve estar pronto para a luta na sua trincheira, sem trégua, sem medo, sem temor da ameaça. Escolhi a minha trincheira e desde então, apesar das ameaças, me obriguei a lutar até o último tombo.
A liberdade de expressão foi conquistada durante longo processo e, na América Latina, sempre esteve ameaçada. A política de coronéis que permeou a parte sul das Américas, e ainda toma conta das republiquetas bolivarianas, colocou em risco o direito de todos de se expressar. De modo que, desde que a Constituição de 1988 foi promulgada, é um dever de todos nós defendermos que nós, nossos vizinhos, amigos e até inimigos se expressem livremente. Se 88 foi a conquista, os dias de hoje são para defesa do espaço conquistado.
Na condição de jornalista, essa defesa se reforça. Ao fazer o juramento de formatura, automaticamente abri mão do direito ao silêncio. Hoje me sinto na obrigação de falar sobre o que quer que seja, desde que alguém do público manifeste o mínimo interesse na questão. Essa tem sido a minha pauta na TV, no blog e nos jornais por onde passei.
Aqueles que pedem silêncio a alguém estão atentando contra essa conquista que é coletiva. Por tanto, forçar alguém a calar, é atirar em si mesmo. Temos que defender que todos falem e falem o que pensam; lutar para que a comunicação e a expressão estejam sempre abertas em todos os sentidos.
Sou apenas um dos herdeiros do legado de Waldimir Herzog, aquele que morreu durante a ditadura militar pela liberdade de expressão no Brasil. Se eu calar a boca submetido a pressões dos pequenos coronéis de nossos dias, estarei desonrando esse legado e me comportando como um soldado desertor, o que nunca fui.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Transferência

Na manhã desta segunda-feira, recebi um convite que considero importante para minha carreira. Na próxima semana serei jornalista da TV Cidade Verde. É um novo desafio no corpo de uma emissora extremamente competitiva e que certamente reúne em seu quadro excelentes profissionais.
Fazer parte desta equipe é uma honra, o que só foi possível graças ao período de aprendizagem e experiências vividas na Tv Antares, à qual me dediquei por quatro anos.
Espero contar com o apoio e torcida de todos

segunda-feira, 22 de março de 2010

Espanto coletivo

A decisão de Wellington Dias de ficar no governo até dezembro provocou o espanto em todos. É cômico pensar que a decisão de permanecer no cargo para o qual foi eleito em 2006 provoque estranheza. Alguém votou em Wellington Dias sem saber que o seu mandato seria finalizado apenas no final deste ano? Os mandatos na redemocratização não são de quatro anos? Que regra é essa que obriga alguém a ser candidato largando mandato antes do fim?
O espanto se dá porque nós subvertemos a democracia. A maioria entende como normal carreira e patrimonialismo na política. Pensa que se reeleger e preparar o filho para política é uma obrigação de todos os que estão há anos imersos nesse mundo de relações tão obscuras. E como fica o Wellington Dias? Fica como deveriam ficar todos os políticos que dedicam oito anos à vida pública: afastados assistindo outros ocuparem o lugar que nunca foi dele! Assim deve ser a política! Assim precisa ser a democracia!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Oligarquias

O que se pode esperar de um estado dominado por oligarquias? Como viver dignamente em um local onde política é carreira e que os currais são herança de família? Este é o Piauí! Desde os tempos de Visconde da Parnaíba são eles que mandam. E por causa deles andamos sempre correndo atrás do prejuízo e nunca chegamos lá. É como se muitos trabalhassem, porém os mais fortes se encarreram de puxar o freio de mão para que ninguém consiga mudar uma realidade que, embora medíocre, privilegia os donos da província.
Em 1823 poderíamos ter conseguido mais do que a independência, chegado a república, mas os Martins não quiseram. E é sempre assim: quando eles não querem, não temos. Em plena democracia somos condenados ao seu império.
Vivemos ainda a era do sobrenome. Este ano, façamos diferente. “Quem tem parente com cargo não merece ser candidato”. Essa é minha campanha!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Defendo o Validuaté

No “Interferência” desta noite, tratamos de um assunto delicado e que, particularmente me deixou sentido: a dificuldade que a banda Validuaté tem em vender seu próprio disco. Uma questão tão complexa que me reservo o direito de não entrar no mérito da questão jurídica. Isso deixo para advogados, delegados e juízes. O que todos concordam é que o fato de um artista não ter domínio sobre o seu próprio trabalho soa com enorme violência. Nem mesmo o diretor-presidente da gravadora Bumba Records deve discordar disso. No entanto é o protagonista da novela que envolve banda.
Márcio Meneses, o presidente da gravadora, é um músico respeitado. Conhece grandes artistas brasileiros. Tem talento no sopro, na produção de bons discos e na interpretação de leis de direitos autorais. Transmite confiança! Com isso conseguiu fechar para sua gravadora o que, a meu ver, foi um os melhores contratos que poderia fechar. Domina os direitos de venda de “Alegria Girar” do Validuaté, um dos melhores produtos fonográficos que já ouvi. Depois de discórdias, parceria finalizada. Ao invés de um acordo entre as partes, as dificuldades de entendimento levaram ao que o Validuaté jamais imaginaria: mais de mil discos retidos na gravadora.
Márcio pode ter razão. Porém, não pode concorda com este atentado não só banda, mas ao cenário artístico local. Empurrar uma mentalidade goela abaixo me parece um gesto violento não só para Validuaté, mas para todos os artistas e consumidores. Sou consciente de que o mais prudente era Validuaté não ter feito contratos com Bumba Records como fez. Penso que Márcio deixou de lado a sua veia produtor- compositor-artista e deixou aflorar uma veia empresário. Nada contra! Porém, assim como Pelé vez por outra dá uns toques no Edson, o lado mais sensível de Márcio poderia dar uma força para o mais brutal.
Nessa disputa sou apenas o torcedor. Não há como ser diferente: mesmo entendo que o mundo jurídico tem sua própria lógica, percebo nele um lado nefasto e ironicamente permeado de injustiças.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vacina para Fiocruz

Em menos de 10 anos o Piauí conseguiu dobrar a sua arrecadação anual. Esse número deve ser ainda maior nos próximos anos. O Estado correu e conseguiu ser um dos membros da federação com maior crescimento registrado. Descobriu Jazidas de ferro, aumentou o número de empregos formais...Tem caminhado em bom ritmo.
Nada disso é importante, no entanto, se continuarmos sendo visto como não somos. Se as pessoas continuarem achando que o Rio de Janeiro só tem violência, São Paulo só tem enchentes, Manaus só tem selva e Teresina só tem calor em pobreza, pouco importa os números. Vai prevalecer o preconceito!
Mais uma vez Teresina perdeu por causa dessa idéia dada pela imagem fundada em estereótipos. Carlos Henrique Nery Costa é um dos maiores pesquisadores em doenças tropicais que já se viu. Por conta disso, foi cuidadoso ao montar o arcabouço técnico para que a Fundação Oswaldo Cruz se instalasse aqui. Mas de que adianta ser cuidadoso? De a que adiante ele ser um dos melhores? De que adianta o crescimento do Piauí? Se as pessoas que comandam a Oswaldo Cruz vêem Teresina e o Estado com o mesmo olhar de qualquer um do povo? A visão diferenciada que se espera de gente do nível de Oswaldo Cruz não entrou em ação.
A Fundação Oswaldo Cruz vai se instalar em 11 estados, mas no Piauí não. O esforço de Carlos Henrique foi invejável. Foi o único a entregar o projeto em tempo hábil. Mas aqui é Piauí e, mesmo ele tendo consciência de que era preciso trabalhar o dobro dos outros para chegar em algum lugar, a Fiocruz correu do Piauí.
Os pesquisadores da Fundação precisam urgentemente encontrar uma vacina contra o estereótipo e o preconceito e administrá-la em si mesmos.